Eu estou despedaçada. Algo em mim está partido. Eu poderia dizer que é o meu coração, mas é pior que isso. É algo mais profundo, algo que me torna quem eu sou, e que agora se quebrou. Simplesmente não sei como voltar a ser o que era antes.
A vida nos quebra e remenda inúmeras vezes, de várias formas. Mas esse momento de ruptura, quando causado pela dor, é único. Ele marca, machuca, destrói. É um instante que nos faz querer acelerar o tempo, na esperança de ficarmos inteiros novamente.
Algo em mim está vazio. Esse vazio ecoa, dá medo.
É escuro, como um cenário de filme de terror ou um pesadelo. Não é o tipo de vazio que está pronto para ser preenchido; é um vazio carregado de medo, dor, angústia. E, ainda assim, vazio.
Há algo em mim que só deseja adormecer. Está exausto, triste, frágil. Meu olhar procura o horizonte, mas se perde pelo caminho. A lágrima presa na garganta quer se transformar em grito, mas não há forças. É isso que chamam de mágoa? Quanta dor uma pessoa pode suportar sem se despedaçar completamente?
Problemas que não posso resolver flutuam na minha mente, atormentando-me. Eu fui moldada para ser solucionadora de problemas. Meu foco sempre foi encontrar soluções rápidas para evitar que os problemas se acumulem. Mas desta vez, eu não tenho como resolver nada. Não depende de mim. Tudo está completamente fora do meu alcance.
Como não se partir, não se esvaziar, não se perder e resistir à tentação de resolver, quando uma filha confia em você para compartilhar algo que aconteceu com ela e que também dói profundamente em você?
Joyce Prado.
- 12:00:00
- 0 Comments